domingo, 15 de fevereiro de 2015

Quem não vive nunca morrera


Boa tarde para você que se permiti fazer parte disso, me deixa animado para postar mais. Obrigado por sua participação em minha história.
Fazia um bom tempo que estava pra postar algo, não tinha a mínima ideia do que relatar. Até que hoje aconteceu algo do qual acho legal partilhar sobre, fiquei sozinho em casa e decidi por conta própria ir cortar os cabelos (claro o barbeiro é perto de casa).
Durante o percurso do caminho senti dificuldade para caminhar, em uma subida tudo piorou, precisei ir escorando na parede. O momento mais sarcástico foi ser ultrapassado por uma senhora na subidinha que dava passos largos enquanto eu mal conseguia levantar os pés. Cheguei ao meu destino e sentei exausto. Fiquei apreensivo em pensar que não daria conta de voltar para casa pelo mesmo caminho, qualquer rampinha que seja me deixa assustado.
Terminei, saí do barbeiro e fui por outro caminho sem decidas, foi como uma volta no quarteirão. Caminhando muito vagarosamente tropecei na calçada, mas não cai, continuei até que de longe vinha surgindo o barulho de uma moto. Mesmo longe decidi esperar, eis que em uma rua cujo era de sentido único (ele estava no sentido certo), mas a via é perigosa além de ser uma curva, somente quem reside nas redondezas sabe o tanto de freios gastos ali que já haviam evitados acidentes. Não nego que desejei que algo acontecesse com a moto para o moço aprender, graças a Deus nada aconteceu. “Eu lutando para ter um pouquinho mais de saúde e aquele moço fazendo bonito para três ou quatro crianças na rua”.
No meio do caminho me contive para não cair em lágrimas, não é fácil aceitar algumas limitações, meus momentos de fraqueza quase sempre são escondidos de todos. Cheguei à casa da minha avó, tomei água e fiquei conversando com eles. Logo meu pai também chegou e de praxe meu avô ofereceu uma pinga artesanal temperada que ele havia feito. O médico já havia dito que eu poderia beber com este novo tratamento, mas moderadamente. Claro  fiquei com vontade de tomar a pinga, não por ser álcool, mas por não querer desprezar aquele momento.
Meu avô completou 84 anos e há 25 anos passou por uma cirurgia do coração, cirurgia da qual garante um tempo menor que sete anos de sobrevida. Entendam o desfecho dessa história, todos os dias eu acordo tomo sete comprimidos para tratar uma amiguinha indesejada, tenho as limitações das quais me deixam triste e cada dia lutar para vence-las não é fácil, seria menos da metade de um copinho de pinga que me faria mal. Não por causa do tratamento em si, mas meu avô estava ali comigo, meu pai, minha avó, a pinga era toda feita com as próprias mãos de um senhor que criou seis filhos e trabalhou muito. Eu não sei se estarei vivo quanto mais ele, me digam eu deveria ter deixado de beber aquela pinga com eles?
Me pego pensando muitas vezes em situações assim, imagino uma pessoa que fumou a vida inteira a beira da morte por causa de um câncer em uma cama de hospital, se a mesma se virasse e me pedisse um cigarro com certeza eu daria. Quem sou eu pra julgar ela? Se durante anos seu desejo foi fumar e nos últimos momentos eu não deixar isso acontecer. Do que eu estaria brincando, de Deus?
Vocês podem pensar que é hipocrisia minha, mas cada um tem a vida que quer e sabe das futuras consequências. Às vezes não é empinando a moto que se aprende ou fumando um cigarro. Mas são por meios dos quais não conhecemos que aprendemos a viver.


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