sexta-feira, 2 de agosto de 2013

sou muito mais homem que muito machão por aí, que bate no peito e só fala merda(...)

Confesso que ter um blog dá trabalho, mas saber que as pessoas estão lendo está sendo maravilhoso. Hoje me deparei com outra cena, dessa vez na novela (Amor à vida), o personagem Felix interpretado por Matheus Solano, após assumir que era gay (forçado, mas assumiu).
Até que ponto o ser humano pode ser egoísta (pai dele), como um pai é capaz de falar aquelas besteiras, uma mãe muitas vezes (vai saber).
 Minha doença não tem explicação, existem diversas teorias, eu acredito muito na teoria do emocional. Me lembro que foi uma fase difícil, estava longe da minha família, minha avó estava doente e alguns sentimentos eu tinha que camuflar e viver de acordo com o que a sociedade gostaria de ver.
Desde pequeno aprendi que, fazer mal para as pessoas era errado, que perdoar (esse é foda) era o certo, que ajudar o próximo fazia o mundo um lugar melhor, aprendi aceitar as diferenças, o que era certo e o errado, aprendi tudo, nunca julguei ninguém.
Sempre me vi um menino diferente, “delicado” demais, fazia amizades facilmente com meninas, não conversava tanto com os meninos, odiava e odeio jogar bola (imagina eu correndo com EM, sabe aqueles mortos que andam querendo devorar as pessoas?).
No ápice da descoberta da Esclerose Múltipla estavam todos assustados, principalmente eu (já que as informações na internet não eram e ainda não são nada boas), depois de muita luta comigo mesmo resolvi abrir o jogo com meus pais. Assumir minha orientação sexual. Pensei, se eles souberem por mim e me aceitarem o resto que se foda, então criei coragem e contei, chorei muito, conversei com ambos que me deram o maior apoio (graças a Deus). Depois de um tempo comecei ir ao psicólogo, não pense que foi por causa da minha homossexualidade, fui devido a EM.
Lá em duas sessões percebi que o problema de tudo eram minhas ideias e a solução para tudo eram novas ideias (complicado né). Com toda essa trajetória quero chegar à linha de raciocínio e tentar dizer, até quando pais, as famílias preconceituosas os amigos vão deixar que um fato do tamanho de um grão de areia interfira na vida de uma pessoa para o resto de seus dias?
Durante as únicas duas sessões de terapia o psicólogo disse que,  a EM poderia ser o resultado de eu ter guardado comigo e vivido o que os outros queriam ver em mim, jovem bonito, cercado de mulheres (o comedor), inteligente, namorador, etc.
Eu digo e volto a dizer, sou muito mais homem que muito machão por aí, que bate no peito e só fala merda. Nunca precisei provar nada para ninguém, nunca quis ser mais que uma mulher, sou homem e muito homem pra dizer o que eu realmente penso e sinto.

Ser feliz é o mais importante para qualquer um, vale realmente a pena camuflar-se e viver como um personagem de outras vidas?

OBS: A pessoa que conheci até hoje que realmente era homem mesmo, era gay. Um amigo do qual eu admirei muito. Marcelinho P C, um exemplo de bondade, corajoso, trabalhador, honesto e acima de tudo um ser humano digno de vida.
Postar um comentário